banner

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Natureza versus Rotina


Silêncio urbano. Ruídos aconchegantes da natureza. E aquilo era tudo.

Molhando os pés na água da cascata, ela estava bem. Bem consigo mesma e bem com o mundo. Simples. Com roupa sem rococós e rosto sem maquiagem. Cabelo enrolado, livre da chapinha quase diária. Só ela e a natureza. Paz...

Olhou para o lado sem motivo consistente e acabou sorrindo para uma rosa com que dera de cara. Chegou mais perto dela, sentindo seu perfume. Linda. Quem dera ser como ela. Bela, gentil, mas inteligente o suficiente para espetar quando nescessário. Caiu de costas na grama, ainda com os pés na água. Como gostaria de ficar ali o restante das horas daquele dia!

 - Luísa? - uma voz a chamou. De súbito seu devaneio foi desmanchado.

Não havia mais natureza, nem silêncio, nem água naturalmente limpa ou flora qualquer. Só estantes, armário, bichinhos de pelúcia, quadrinhos e a mochila da escola em um canto.

 - Filha, vamos logo ou se atrasa! - apressou a mãe atrás da porta. Não sabia que a garota já estava uniformizada.

 - Já estou saindo! - respondeu erguendo-se com pressa. Apanhando a mochila, saiu correndo do quarto, quase atropelando a mãe. O café fora rápido, sem nada demais. A companhia da mãe foi como a grama, que conforta. Mais tarde, a descida pelo corrimão equivaleu as águas que descem na cascata. A turma da perua, a natureza, e o seu barulho entre conversas, celulares e sabe-se-lá-mais-o-quê, ao silêncio querido. Chegando no colégio, o seu amor. Alguém que a fazia ter o sentimento perfumado como uma rosa.

Luísa chegou a essa conclusão. Mesmo não tendo um mundo perfeito, sem pássaros, simplescidade constante ou coisas assim, era tinha o suficiente para ser feliz. O jeito, concluiu, era saber como preservar tudo aquilo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário